Os fundamentos de uma pedagogia raciovitalista

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Neste trabalho, examinamos quais são os fundamentos de uma pedagogia raciovitalista segundo o pensador espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955). Adicionalmente, procuramos compreender qual a postura do educador e do educando nesse modelo teórico.

Palavras-chave: Filosofia, Educação, Raciovitalismo.

Considerações iniciais

A pedagogia é a ciência que investiga os pressupostos teóricos da educação. Para pensa-las valemos-nos das indicações do pensador espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955). Ele analisa os problemas sociais que afligem sua geração. Desse modo, se depara com as idéias educacionais que necessitam de uma investigação singular. Para Ortega y Gasset a ciência pedagógica não pode apenas abordar um tema, mas precisa instaurar uma postura crítica diante da situação sociopolítica e cultural alterando-a para melhor.

Nosso trabalho tem por objetivo examinar os fundamentos da pedagogia raciovitalista. Além disso, buscaremos compreender como os estudantes devem proceder dentro desse modelo educacional que lhes permitirá crescer como seres únicos, equilibrados e criativos. Por outro lado, o educador, seguindo as indicações da pedagogia raciovitalista, deve aprofundar os fundamentos das teorias pedagógicas do século XX, porque um educador tem que ser mais que um regulador ou transmissor daquilo que é preciso aprender numa certa circunstância. O educador deve ser capaz de atualizar as potencialidades do educando.

Nos últimos dois anos, nós nos dedicamos ao estudo de alguns aspectos da Filosofia de Ortega y Gasset. Este trabalho, faz parte de um projeto maior sobre a Filosofia da Educação que estamos desenvolvendo com o apoio do Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico, nos Programas de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq), sob a orientação do Prof. Dr. José Mauricio de Carvalho.

As referências principais para a realização deste trabalho foram as Obras Completas, de José Ortega y Gasset, editadas em Madri, pela Alianza. Além disso, valemo-nos dos artigos da Revista de Estudios Orteguianos e das obras de Margarida I. A. Amoedo intitulada José Ortega y Gasset: a aventura filosófica da educação, editada em Lisboa, pela Estudos Gerais e de José Mauricio de Carvalho intitulado Introdução à Filosofia da Razão Vital, editada em Londrina, pela CEFIL.

I Como se pensava a educação nos tempos de Ortega y Gasset?

José Ortega y Gasset apresenta suas idéias pedagógicas contrapondo-as às idéias educacionais então vigentes. Naquele momento as teorias da educação consagram o saber prático. Assim, verificamos que o principal problema educacional de sua geração é a conversão dos conceitos educacionais nos termos das ciências técnicas.

O problema da educação, nesse caso, é sempre um problema de eliminação. Eliminação significa a capacidade de o homem selecionar o que é essencial para sua vida, eliminando o que não é. As funções essenciais que o homem deve perseguir são de ordem psíquica e é essa ordem que o distingue de uma máquina.

As máquinas são construídas a partir da dificuldade do corpo humano em realizar determinadas tarefas. Para Ortega y Gasset, as máquinas trabalham em limitadas condições e reduzem a atividade humana ao mínimo, impedindo distinção entre o vital e o operacional. O filósofo, é necessário distinguir a função vital e o substituto dela quando se emprega uma máquina. Eis o que diz nos Ensayos Filosóficos:

O uso da bicicleta é mero mecanismo e, portanto, menos vital que o uso do pé, tampouco este representa a vitalidade essencial, também é um mecanismo em comparação com outras funções biológicas primárias (O. C. II; p. 276).

A ciência do século XX preocupa-se sobretudo com os estudos orgânicos. Ortega y Gasset entende que ensinar o homem pelos modelos funcionais, como as teorias mecânicas então predominantes, não permite entender as realidades vitais do homem. Então, o filósofo indaga: quais são as realidades vitais do homem? Para ele, são três: 1) a realidade mecânica ou técnica, que em seu conjunto chamamos de civilização e correspondem a montar uma bicicleta; 2) as realidades culturais do pensar científico, que se inserem numa vitalidade psíquica dentro de causas normativas, e é com esta que a pedagogia da razão vital deve se preocupar para que haja a capacidade do homem em eliminar o que é desinteressante de sua vida; e 3) os ímpetos originais do psiqué, como as emoções. Essas três realidades distinguem os homens, mas são raízes da existência pessoal. O erro das concepções pedagógicas de sua época foi supor que ensinar técnicas ao indivíduo iria dotá-lo de visão científica e de uma inteligência inquestionável.

II A vida espontânea como processo de adaptação

Ortega y Gasset, no ensaio intitulado Biologia y Pedagogia, explica que a missão da escola é preparar o homem para a vida. Para isso, ele completa, as escolas poderiam ensinar a educação cultural e a civilização para constituírem um instituto que permaneça idêntico desde os tempos mais remotos do passado e estimular a criatividade para o educando enfrentar os problemas do futuro. Para o filósofo, é mais urgente e necessário educar o homem para uma vida criadora do que para repetir técnicas.

O ensino das técnicas é adequado para quem precisa se especializar numa função que não seja essencial para sua vida. Ortega y Gasset explica que o ensino técnico era considerado a principal forma de educar o homem porque sua geração passara por uma circunstância muito singular. A geração que antecedeu à sua preocupou-se com a exploração de minerais e, assim, com a configuração de uma realidade limitada, o que impedia um olhar mais aguçado para o futuro. Também ficou sem função a possibilidade de admirar ou contemplar o mundo que está na raiz de todo conhecimento humano.

O estudo da realidade principia com um impulso inicial que é a admiração. Ortega y Gasset nos lembra que a admiração fez mover a Filosofia nas suas origens gregas. O filósofo conclui que a admiração no povo grego nasce não só da sua cultura, mas também devido a um perfil psicológico caracterizado pelo desejo de riqueza, glória e sabedoria. Uma pedagogia, para ter sucesso, tem que sistematizar a vitalidade espontânea dos educandos. Para realizar essa tarefa, os filósofos da educação devem analisar, equilibrar e corrigir as deformações que surgiram na história.

Ortega y Gasset entende que o homem não tem natureza, mas história. Por isso, contrapõe suas teses educacionais com as de Jean Jacques Rousseau (1712-1778), para quem a vida espontânea deve ser negada e a vida primitiva, valorizada. Entendemos que tratar o homem primitivo como selvagem, como fez Rousseau, significa centrar a distinção entre homem selvagem e homem civilizado nos recursos técnicos que cada um dispõe para a sobrevivência. E isso consiste em admitir teoria “progressista” como processo único de construção do saber humano. Porém, essa teoria “progressista” não entende que a origem da civilização aconteceu ainda entre os homens primitivos quando estes sentiram a necessidade de organizar-se em comunidade.

Ao contrário do que pensa Rousseau, Ortega y Gasset diz que a educação nunca será uma ficção da natureza. O filósofo espanhol entende que entre os anos de 1850 e 1900, os pensadores definiram que a vida essencial era a adaptação do homem ao meio em que se encontra. Essa característica atende somente à sua vida orgânica. Na passagem seguinte, Ortega y Gasset sintetiza as conseqüências de semelhante modo de pensar:

A mão, sobretudo no homem, é o órgão exemplar da adaptação criadora, que consiste em transformar proveitosamente o meio (O. C. II; p. 284).

A biologia refere-se à vitalidade como um processo de adaptação. Esse mesmo propósito orienta a psicologia, cuja vitalidade psíquica é inspirada na biologia orgânica do século XIX. As teorias biológicas e psíquicas daquele século entendem que a percepção do mundo circundante inicia-se num processo de adaptação do sujeito ao meio em que está situado. Esse processo relaciona a vida com o meio e é regido por ele. Porém, explica Ortega y Gasset, ao penetrarmos fundo na alma, percebemos extratos profundos que dificultam a adaptação ao meio.

Para Margarida Amoedo, o conceito de “paisagem” que o filósofo propõe, visa combater a categoria biológica de “meio”. Em nosso entendimento, o conceito de “paisagem” significa que cada espécie animal tem o seu lugar e que o homem vive em toda parte. O termo “paisagem”, além de diferir do “meio”, significa o conjunto das circunstâncias que o homem encontra em sua vida. Desse modo, “circunstâncias” e “paisagens” são ao mesmo tempo uma limitação para o homem e um conjunto de possibilidades.
Com o conceito de “paisagem”, podemos auferir as seguintes implicações pedagógicas: 1) o êxito da aprendizagem depende do uso de mecanismos adequados; 2) a compreensão da paisagem do indivíduo permite investigar seu potencial criador; e 3) educar deverá ser sempre o causador de paisagens novas.

III A forma psíquica inadaptada e a pulsação vital como sentimento de vitalidade

No item anterior, procuramos explicar em que consiste a adaptação e como o conceito foi introduzido nas teorias pedagógicas. Consideramos também que essas práticas educacionais suscitam dificuldades porque não incentivam a criação humana. Agora, em contraposição ao que proclama essas teorias, vejamos como Ortega y Gasset aborda a forma psíquica como a mais rica, enérgica e abundante.

Para fazer essa elucidação, recorremos, com o filósofo, às palavras: “querer” e “desejar”. O “querer” significa apropriar-se da realidade de algo e dos meios que se utiliza para fazer algo; o “desejar” implica em dar conta de que o desejado é relativo ou absolutamente impossível. Na criança, essa distinção não existe. Quando sua experiência lhe mostra o que é ou não possível, sua vontade vai se modificando entre o realizável e o irrealizável. A sua existência torna-se uma constante luta de fronteiras entre o “querer” e o “desejar”. Assim, o “desejo” é um “querer” fracassado. Porém, Ortega y Gasset nos explica que é o “querer” que nutre o “desejo”, movendo-o e ampliando-o. Assim, o desejo é o motor dentro do universo psíquico porque significa o homem sentir suas necessidades e empenhar-se em buscá-las.

A esfera política, Ortega y Gasset explica que a “barbárie” resulta do triunfo do homem que tem poucas necessidades. No caso, as suas necessidades são reconhecíveis pelo homem de forma íntima, abrindo as possibilidades para que ele saia de suas circunstâncias pelo “desejo” de ampliar os seus horizontes.

Uma pedagogia voltada para a adaptação do indivíduo ao meio exclui os “desejos” e a possibilidade do indivíduo realizar grandes feitos porque exalta as tarefas que os mestres julgam praticáveis. Assim, os mestres cegam o indivíduo de suas possibilidades e de suas potencialidades criadoras. Uma pedagogia raciovitalista considera que o pensamento é a ação sobre a outra pessoa porque influi na relação com o outro. Desse modo, a censura muitas vezes empregada pela pedagogia de adaptação pode nascer tanto do amor quanto do rancor que temos ao outro.

Para o filósofo, as emoções que sentimos na relação com o outro revelam nossas instâncias psíquicas e são elas que nos dirigem, nos alimentam, nos deprimem, mas que também nos são íntimas e podem nos nutrir. Essas emoções são influenciadas por uma dinâmica psíquica que varia entre os homens. Isso significa que o sentimento de vitalidade existente em cada homem parte de um pulso psíquico íntimo que o faz viver os desafios de sua época.

Não há que se esperar valores éticos nos pulsos vitais, mas cabe ao homem assegurar sua saúde vital. Nesse contexto, o filósofo explica que a pedagogia deve preocupar-se em submeter a atividade educacional aos ditames do imperativo de vitalidade. O ensino fundamental, explica o filósofo, deve ter o objetivo de produzir o homem vitalmente perfeito. Isso quer dizer que o homem deve sentir sua pulsação vital já no período inicial da formação. Ortega y Gasset ainda explica que as demais ciências, a moral, a técnica e o ideal de cidadania não devem ser a preocupação inicial da pedagogia raciovitalista, eles serão preocupações posteriores do educando.

IV A importância dos mitos na educação fundamental

Até aqui, identificamos o perfil da pedagogia raciovitalista; entretanto sentimos a necessidade de abordar a questão dos mitos porque ela interfere na educação fundamental. Na educação fundamental, o indivíduo necessita estar envolvido numa atmosfera de sentimento audacioso, ambicioso e entusiasmado. Por isso, a importância dos mitos.

Uma pedagogia prática, certamente, desprezará o ensino dos mitos por considerá-los um emaranhado de imagens fantásticas e, em contraposição, procurará colocar no indivíduo a idéia exata sobre as coisas. Essa pedagogia rejeita a noção que o mito possui uma função interna sem a qual a vida psíquica ficaria paralisada. Ortega y Gasset nos explica que o mito nutre o pulso vital e, por isso, o filósofo o denomina de “hormônio psíquico”. O filósofo ainda acrescenta que, até o século XIX, o “meio” é o mundo físico-químico onde estão os indivíduos, e eles teriam que se adaptar a ele do melhor modo possível. Assim, a biologia transforma os fenômenos vitais em fenômenos mecânicos. As coisas, no entanto, não se relacionam por atividades mecânicas.

A incompreensão do ensino fundamental vigente é a suposição de que os educadores dispõem que, na vida educacional, os educandos possuem o mesmo mundo que o dos educadores porque sempre partem do próprio mundo como algo definitivo, pronto e acabado e porque acreditam na pedagogia prática. Entretanto, o mestre com a formação prática esquece que a maturidade e a cultura são criações da criança e do selvagem. Para Ortega y Gasset, a maturidade não é a superação da imaturidade, e sim uma interrogação da realidade que se apresenta ao indivíduo. Para o filósofo, a pedagogia de Rousseau se assemelha ao uso de um método cruel porque intenta suplantar a paisagem natural da criança com os elementos que rodeiam as pessoas maiores. O filósofo ainda explica que o homem é um conjunto de órgãos seletos que interferem na realidade circundante; porém, o “meio” depende não só de sua estrutura corporal, mas também de sua estrutura psicológica. É essa a importância de ensinar os mitos ao jovem, para que ele possa exercitar sua pulsação vital.

O jovem imagina uma realidade ilusória e, por isso, sua educação vai se consolidando na medida em que as interrogações vão perdendo as ilusões. Esse processo de desilusão inicia-se quando a razão começa a operar em torno do novo objeto. Todo empenho da razão será guiado pela vontade de saber e obter uma noção exata do objeto de elaborar uma cópia intelectual que o transcreva como ele aparece. Para Ortega y Gasset, não há nada que chegue até nós num primeiro instante que não nos cause uma dupla reação: história e lenda. A lenda ocupa tanto nossa paisagem que até mesmo a ciência pode ser incorporada nela, completa o filósofo. Trata-se de uma crítica ao positivismo, que é exemplo de uma grande exaltação acrítica à ciência, fazendo fundar-se até uma religião constituída por mitos.

V O ato de estudar na pedagogia raciovitalista

Até aqui, discutimos os principais conceitos presentes na pedagogia raciovitalista. Passamos agora a considerar o perfil do estudante e o ato de estudar. Para o filósofo, o ato de estudar consiste na constante busca da verdade. Sendo assim, a verdade é o fator que acalma a inquietude de nossa inteligência. Nessa perspectiva, Ortega y Gasset explica que o saber deixa de ser científico. Isso, completa o filósofo, ocorre também com a Metafísica. Para quem não vê uma necessidade da Metafísica, os seus assuntos consistem num falatório sem sentido.

Para compreender o sentido dos discursos metafísicos, não precisamos de nenhum talento ou sabedoria inata, mas de uma condição fundamental: investigar para que serve a Metafísica. Ortega y Gasset entende que para aceitar sua necessidade deve-se reconhecê-la como um sentimento próprio e, da mesma forma, possuir uma necessidade das coisas que nos chegam da realidade. Assim, percebemos que a necessidade em conhecer é o motor que precisamos para buscar a descrição das coisas que nos chegam.

Nesse processo, ainda cabe esclarecer a questão: o que é o estudante? O estudante é um ser humano a quem a vida não impõe a necessidade das ciências. O estudante encontra a teoria e é estimulado a aprendê-la. Em contrapartida, está aquele que cria a ciência, pois sente uma necessidade vital e tem satisfação em edifica-la. Desse modo, não é o desejo que resulta no saber, mas a necessidade em saber. Podemos ainda completar que o desejo não existe sem que exista uma coisa desejada; ao contrário, a necessidade é percebida quando uma carência brota na alma e precisa ser preenchida.

O estudante tenderá a não questionar o conteúdo da ciência que lhe foi comunicada. Ao contrário, quando está diante de um conceito determinado se sente acomodado e amparado pela teoria e passa a crer que ela é definitiva, pronta e acabada. Existe uma outra questão que deve ser analisada. Ortega y Gasset indaga se, caso a ciência não estivesse aí, o estudante sentiria a necessidade dela. Para responder, o filósofo explica que a situação de estudante é artificial, ele apenas finge a necessidade. Portanto, o ideal é que o estudante tivesse um sentimento urgente que brotasse na alma com o intuito de desbravar os diversos saberes. Mas estudar tem sido em nossa cultura a obrigação de se interessar pelo que não interessa.

O perfil do criador, para Ortega y Gasset, se baseia na curiosidade. Em Martin Heidegger (1889-1976), a palavra “curiosidade” sugere um sentido que parece adequado ao que Ortega y Gasset quer exprimir. Para Heidegger, “curiosidade” se origina na palavra “cura”, que significa “cuidado” ou “preocupação”. Assim, um homem cuidadoso faz tudo com atenção e extremo rigor e se preocupa com sua ocupação. Ortega y Gasset entende que o vício do homem é fingir o cuidado, ou seja, ser incapaz de autêntica preocupação.

Através da curiosidade, chegamos à ciência e aí o homem revela sua sincera preocupação, que é uma necessidade imediata e autônoma. O estudante que não sente essa curiosidade consiste numa fraude de sua própria existência.

Considerações Finais

Neste trabalho, examinamos a importância das contribuições da filosofia raciovitalista para a educação. As teses educacionais se fundam nos problemas encontrados pelo filósofo Ortega y Gasset ao contrapor as práticas educacionais puramente técnicas que estavam vigentes em sua época inspiradas nos pensadores do séc. XIX. Essas práticas compreendiam o homem como um ser que se adapta ao meio e, assim, tratam a vida humana como algo que se restringe ao orgânico.

A pedagogia raciovitalista compreende o homem como um ser que está além de suas limitações orgânicas. Ele é um ser que possui aspectos psicológicos que nutrem seus desejos de conhecer a realidade vital. Os aspectos psicológicos tratados pelo filósofo sofrem influxo da pulsação vital que impulsiona o homem para além de suas circunstâncias e precisam, ser considerados pelas teorias educativas.

Para que haja o desenvolvimento dessa pulsação vital, o educador deve aprender a usar os mitos, porque são eles os principais recursos para ensinar as virtudes necessárias para a sobrevivência de uma comunidade. Os mitos não são simples lendas, e sim “hormônios vitais” que ajudam o homem a exercer suas atividades criadoras, demonstrando audácia, coragem e ambição necessárias para a vida. Os mitos devem ser ensinados ao jovem para que ele cresça sem se fixar em verdades prontas e desenvolva o gosto pela pesquisa e busca da verdade.

O estudante, formado neste processo de constante indagação, se transforma num pesquisador. Assim, segue construindo ser com a eterna busca do saber. A educação, assim vista, significa a ação de extrair uma coisa de outra, de converter uma coisa menos boa em outra melhor.

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Trabalho realizado como parte das atividades do PIBIC/CNPq, anos 2002/2003, sob a orientação do Prof. Dr. José Mauricio de Carvalho.

** Acadêmico de Filosofia da Universidade Federal de São João del Rei (PIBIC/CNPq)

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